Boa parte dos portadores de insuficiência renal crônica em diálise sofre do hiperparatireoidismo secundário, que é o descontrole na produção do paratormônio (PTH) pela glândula paratireóide, que fica no pescoço, próxima da tireóide. Esse problema se deve primariamente à baixa da vitamina D e do cálcio e ao aumento do fósforo que ocorrem na vigência de insuficiência renal, mesmo naqueles em diálise. O tratamento inicial consiste na administração de altas doses de vitamina D e no controle do cálcio e fósforo. Porém em alguns muitos casos em que o objetivo em controlar o PTH não é alcançado clinicamente está indicada a paratireoidectomia, com o fim principal de proteger os ossos e evitar doenças cardiovasculares.
Até aí tudo simples, não é mesmo? Entretanto, a paratireoidectomia não é uma cirurgia simples de se fazer. Embora seja uma glândula superficial, ela é muito pequena, dividida geralmente em quatro diminutos pedaços e rodeada de vasos sanguíneos e nervos importantes, o que torna sua retirada cirúrgica complexa, além do que, conta com um pós-operatório bastante complicado. E para dificultar tudo, o SUS paga muito pouco por esse procedimento cirúrgico (algo em torno de 200 reais para o cirurgião de cabeça e pescoço), o que torna a tarefa de encontrar um profissional interessado em fazê-lo extremamente complicada.
Está aí uma boa briga para as associações de renais crônicos dos estados.





