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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cirurgia de Retirada da Paratireóide (Paratireoidectomia)

Boa parte dos portadores de insuficiência renal crônica em diálise sofre do hiperparatireoidismo secundário, que é o descontrole na produção do paratormônio (PTH) pela glândula paratireóide, que fica no pescoço, próxima da tireóide. Esse problema se deve primariamente à baixa da vitamina D e do cálcio e ao aumento do fósforo que ocorrem na vigência de insuficiência renal, mesmo naqueles em diálise. O tratamento inicial consiste na administração de altas doses de vitamina D e no controle do cálcio e fósforo. Porém em alguns muitos casos em que o objetivo em controlar o PTH não é alcançado clinicamente está indicada a paratireoidectomia, com o fim principal de proteger os ossos e evitar doenças cardiovasculares.
Até aí tudo simples, não é mesmo? Entretanto, a paratireoidectomia não é uma cirurgia simples de se fazer. Embora seja uma glândula superficial, ela é muito pequena, dividida geralmente em quatro diminutos pedaços e rodeada de vasos sanguíneos e nervos importantes, o que torna sua retirada cirúrgica complexa, além do que, conta com um pós-operatório bastante complicado. E para dificultar tudo, o SUS paga muito pouco por esse procedimento cirúrgico (algo em torno de 200 reais para o cirurgião de cabeça e pescoço), o que torna a tarefa de encontrar um profissional interessado em fazê-lo extremamente complicada.
Está aí uma boa briga para as associações de renais crônicos dos estados.

sexta-feira, 16 de março de 2012

É possível sair da diálise?

Pergunta desse tipo eu ouço quase todos os dias. A resposta é complicada, mas geralmente é não!
Para sair da diálise há 3 meios, que são, do pior para o melhor: morrendo, fazendo um transplante ou recuperando a função do rins.
Quanto ao primeiro, morrer, é melhor nem comentar, pois não suscita dúvidas.
Fazer um transplante renal hoje em dia ainda está bastante difícil, pois só a minoria dos estados tem um serviço ativo, além de não ser fácil encontrar um doador vivo, e no caso do doador falecido, termos dificuldade em captar órgãos de possíveis doadores. Ainda é preciso lembrar que o transplante não é cura, é apenas troca de uma modalidade de substituição da função renal perdida por outra. Não dá pra esquecer que o uso dos imunossupressores que evitam a rejeição do rim transplantado possui os seus riscos e dificuldades.
As grandes dúvidas se dão nas chances de recuperação da função renal. Geralmente um diabético ou hipertenso que entra em diálise por esses motivos não recupera a função dos rins, pois eles se deterioraram de forma irreversível ao longo de anos. Portanto, a chance é mínima. Quem costuma poder recuperar a função dos rins são os portadores de insuficiência renal aguda. Fazem parte desse grupo os sobreviventes/doentes por nefrites (lúpus, IgA, entre outras), os expostos a substâncias tóxicas aos rins (alguns antibióticos, contraste venoso), os grandes acidentados, os que desenvolvem infecções graves (sepse) que se resolvem e os que têm alguma obstrução à saída da urina (prostáticos, tumores, pedras). Esses geralmente não tinham qualquer problema renal e podem recuperar a função dos rins e sair da diálise se a condição causadora for sanada.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Novos medicamentos disponíveis

Esse é um tema chato de se tratar, mas é pro benefício de todos que o trago. A maior parte dos pacientes que entra em diálise tem como causa de morte um evento cardiovascular, tal como um infarto. E de alguns anos para cá, temos cada vez mais certeza que além dos fatores de risco tradicionais para infartos e derrames (tabagismo, colesterol alto, pressão alta, obesidade), o distúrbio mineral-ósseo do renal crônico parece estar envolvido com esses acontecimentos como fator causal independente dos outros já conhecidos.
Esse distúrbio compreende as alterações metabólicas em que estão envolvidas a vitamina D, cálcio, fósforo, PTH (paratormônio), calcificação dos vasos sanguíneos, dentre outros. Atualmente, no Brasil, temos lidado com esse problema com os quelantes à base de cálcio, o sevelamer, calcitriol oral e injetável. Neste ano foram aprovados pela Anvisa para uso aqui no país o cinacalcete e o paricalcitol, drogas mais avançadas e que podem possivelmente trazer mais benefícios para os renais crônicos.
Como a Constituição assegura saúde universal e integral aos cidadãos, é direito reivindicar o que há de melhor disponível para o seu tratamento de saúde quando houver necessidade. Os planos de saúde também logo serão alvo de questionamento quanto ao fornecimento desses medicamentos.
Portanto, informe-se na sua clínica com seu nefrologista a respeito dessas drogas novas. Possivelmente no começo elas serão negadas pelas secretarias de saúde, mas com o tempo e argumentação correta elas passarão a ser prescritas e fornecidas e talvez isso seja benéfico para todos envolvidos: poder público, sociedade em geral, equipes de saúde e pacientes.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Alimentos ricos em fósforo

O portador de insuficiência renal, principalmente o que já está em diálise, tem dificuldade de eliminar o fósforo (P) do organismo, que se acumula e passa a gerar problemas, como a piora do hiperparatireoidismo (aumento do PTH) e a hipocalcemia (redução do cálcio). Indiretamente, a hiperfosfatemia (P alto) gera calcificação vascular e de outros tecidos, aumentando a mortalidade desse indivíduo.
Para um melhor controle do nível de P no organismo deve-se seguir algumas orientações do nefrologista responsável, que invariavelmente são boas doses de diálise, uso de quelante de fósforo (carbonato ou acetato de cálcio, sevelamer) quando necessário e, principalmente, dieta pobre em fósforo.
Esse último item é difícil de se executar porque os alimentos ricos em proteínas geralmente são os ricos em fósforo, e devido à diálise fazer com que se perca muita proteína, é necessário que alimentos ricos em proteínas sejam consumidos. Portanto, restringindo o fósforo da dieta, estaremos ao mesmo tempo, restringindo as proteínas, o que é indesejável.
O que se deve fazer nessa situação é preferir aqueles alimentos com o máximo de proteína e o mínimo de fósforo, deixando de lado aqueles pobres em proteínas e ricos em fósforo.
Abaixo, colo uma lista da última publicação científica brasileira sobre o tema, o Jornal Brasileiro de Nefrologia, abr,2011:
Note que se deve preferir a carne de porco ou frango ao peixe e ao fígado. Que se deve evitar o leite e seus derivados. Que o feijão e a soja têm muito fósforo pra muito pouca proteína e que a exemplo das castanhas como o amendoim são indesejáveis. Também o chocolate e o presunto devem ser algo raro no cardápio.
Aproveite as dicas, diminua o seu fósforo e viva melhor.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A diálise e as vitaminas

O uso de suplemento de vitaminas é muito comum na diálise apesar de pouco entendido. Suscita dúvida nos pacientes e até mesmo nos médicos. Falaremos sobre o uso das principais vitaminas nos pacientes em diálise.
As vitaminas do complexo B, a B12 e B6 principalmente, são usadas como tentativa de um melhor controle da anemia. O ácido fólico, outra vitamina, também tem papel nesse sentido.
A vitamina C, que está presente em boa quantidade em alimentos com alto teor de potássio e que acabam sendo evitados, é usada numa tentativa de melhor absorção e aproveitamento do ferro ingerido e principalmente pelas suas propriedades anti-oxidantes, no propósito de controlar a inflamação presente no organismo de renais crônicos.
A vitamina D, que deixou de ser corretamente ativada pelos rins doentes, passa a ser administrada para diminuir os efeitos do hiperparatireoidismo e a doença óssea secundária à insuficiência renal.
A vitamina E tem papel no controle de cãibras persistentes em pacientes em hemodiálise.
As doses corretas das prescrições dessas vitaminas variam muito de paciente para paciente e entre os médicos. Isso ocorre porque o conhecimento atual ainda não explica o papel exato e todas as vantagens e desvantagens do seu uso.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Carambola na insuficiência renal


Nunca é demais lembrar que para os portadores de insuficiência renal a ingestão de carambola é muito perigosa. É uma fruta deliciosa originária da Ásia e presente no Brasil há muito tempo.
Ela contém toxinas que não são eliminadas em pessoas com insuficiência renal e passam do sangue para o sistema nervoso causando vários sintomas e, às vezes, lesões neurológicas irreparáveis.
Os sintomas vão desde sonolência, soluços intermináveis, insônia, agitação, até convulsões, coma e parada respiratória, na dependência da quantidade de fruta ingerida e do grau de insuficiência renal. Em pessoas saudáveis nada acontece pois os rins eliminam facilmente as tais toxinas.
Infelizmente não há um tratamento eficaz para essa intoxicação. Alguns pacientes obtêm alguma melhora após hemodiálise, mas essa não é a regra, fazendo com que a situação possa ganhar contornos muito críticos em alguns casos.
Como há diversos relatos de morte pela ingestão da carambola em renais crônicos, cuidado! Se você é paciente renal em diálise, nem passe perto da fruta e alerte toda sua família para não lhe prepararem uma salada de frutas venenosa.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Minha fístula parou!

Lembram-se do post sobre a fístula? Ali a gente conheceu a "famosa". Mas e se a sua já está lá toda pomposa no braço e um belo dia resolve parar?? Muitas vezes você nem vai notar e quem vai perceber e dizer pra você será alguém da enfermagem na hora da punção.
Sem desespero!
Converse com o/a enfermeiro(a), acalme-se, converse com o médico e junto com ele decida se vai ter que passar um cateter de novo até uma nova fístula ser confeccionada ou vai poder reaproveitar/desentupir aquela fístula rapidamente.
Por que a fístula para??
Porque ela não é um vaso natural e a sua simples confecção e presença já é motivo mais que suficiente para aquele vaso ficar sem fluxo e "parar". O fluxo enorme e acelerado dentro de uma veia com o tempo (meses/anos) acaba deteriorando a estrutura daquele vaso, e uma hora ou outra, mais cedo ou mais tarde, algo ruim acontece. Uma trombose (coágulo que obstrui o fluxo) e um estreitamento no interior desse vaso são os principais motivos da parada do fluxo ou sua diminuição. É o cirurgião vascular quem vai decidir em última análise o caminho a seguir. Converse atentamente com ele.
E de resto, lembre-se, não é o fim do mundo e essa não é uma coisa sem solução.

sábado, 2 de outubro de 2010

Fósforo alto em pacientes em Hemodiálise

Quando os rins passam a funcionar mal, perdemos a capacidade de eliminar fósforo, um elemento químico presente no nosso organismo. O aumento do PTH comentado em outro post também é causado por essa retenção de fósforo.
Níveis altos de fósforo favorecem a progressão da doença óssea e geram vários outros efeitos indesejados, como calcificação de vasos sanguíneos, inclusive as coronárias, calcificação da pele e outros órgãos, até mesmo pulmões e articulações, e por fim, aumentam o risco de doença cardiovasculares (AVC, infarto) e morte devido a elas.
Fica clara aí a importância de se manter o fósforo em níveis adequados. A recomendação mais recente embasada em evidências científicas é para que o fósforo fique em níveis normais (2,4 a 4,1 mg/dl). Isso é muito difícil para algumas pessoas com doença renal, portanto, talvez um limite máximo seja 5,5 mg/dl.
Há 3 formas que devem ser usadas em conjunto para se chegar nesse objetivo: o uso de quelantes (sais de cálcio, sevelamer) prescritos pelo médico e que evitam absorção do fósforo ingerido, a própria diálise (quanto mais melhor; sessões mais frequentes é melhor que sessões mais longas), e o mais importante, dieta com baixo teor de fósforo.
Alimentos com alto teor de fósforo e que devem ser evitados são as amêndoas, amendoim, castanhas, o leite e seus derivados, cacau, chocolate, feijão, aveia, farinha de soja, gema do ovo, bacalhau, sardinha. Sempre é importante conversar com um nutricionista a respeito dessa dieta, para que ela não atrapalhe outros objetivos paralelos.
Importante reiterar que a dieta tem um peso muito mais importante que o uso dos quelantes e a diálise.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Doença Óssea na Insuficiência Renal

Baixa do cálcio e da vitamina D e aumento do fósforo no sangue são ocorrências comuns e, em até certo ponto, esperadas no portador de insuficiência renal. Essas alterações isoladas ou em conjunto, à medida que a função renal se deteriora, através de mecanismos hormonais já bastante esclarecidos provocam um aumento da secreção do paratormônio (PTH) pelas paratireóides, que são glândulas que ficam na parte anterior do pescoço.
A essa condição dá-se o nome de hiperparatireoidismo secundário. É secundário à doença renal que dá início e perpetua essas alterações hormonais.
Se não for tratado a tempo e intensamente, esse estado de excesso de PTH leva a uma perda importante de massa óssea. Os ossos ficam frágeis, deformados e propensos a se quebrarem com muita facilidade.
Deve-se portanto prestar atenção às orientações dietéticas prescritas para que se diminua a ingestão de altos teores de fósforo na dieta, usar os quelantes de fósforo (renagel, carbonato de cálcio, acetato de cálcio) quando indicado e, usar corretamente a vitamina D (calcitriol) quando prescrita.
Por vezes, o problema torna-se tão intenso que é necessário que se faça a retirada cirúrgica da paratireóide.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ganho de Peso na Diálise

A ingestão excessiva de líquido faz com que o indivíduo ganhe muito peso. Esse peso é líquido, ele não engordou, não ganhou massa muscular nem gordurosa, esse peso a mais é água. Água que não consegue ser eliminada pelos rins deteriorados. A diálise, então, tem que retirar esse líquido do indivíduo. Mas no esquema dialítico habitual de 3 vezes na semana fica muito difícil tirar mais do que 10-12 litros em uma semana. E para isso não se pode exceder um ganho diário de 1,5 l. Isso, para um adulto médio de uns 75 kg. Para pessoas menores a quantidade é menor.
Portanto, ingerir mais do que 1 litro de água (incluído aí suco, refrigerante, sorvete, gelo, gelatina, etc) por dia, pode se tornar um pesadelo para quem faz hemodiálise. Essa água vai se acumulando, aumenta a pressão arterial e "encharca" os pulmões tornando a respiração difícil. Alguns casos se complicam muito levando o paciente a situações extremas que põem em risco a vida dele.
Então, se você faz diálise, cuidado, respeite os seus novos limites.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Controle de peso na diálise / peso seco

Quem faz hemodiálise tem ou terá, mais cedo ou mais tarde, essa preocupação. À medida que o tempo passa, o funcionamento dos rins se deteriora, mais e mais. Mesmo após a entrada em diálise a piora continua, já que, como dito anteriormente, a diálise não é um tratamento da doença renal, é apenas um tratamento das complicações dela. Uma das principais complicações, causada pela dificuldade em eliminar todo o líquido que se consome através da produção de urina, é o ganho de peso.
Não, a pessoa não engorda! Ela fica mais pesada porque a água não é eliminada. A pessoa urina menos do que o mínimo necessário para se manter sem líquido em excesso. A urina vai diminuindo com o passar do tempo até que se reduz a uma quantidade bem pequena. A pessoa tem um peso "seco" de 70 kg, por exemplo, mas 2 dias após a sessão de diálise está pesando 75 kg, ou seja, tem 5 kg de excesso de líquido.
Pode-se imaginar então que se a pessoa beber muito líquido ficará com excesso dele no corpo, e isso realmente acontece, fazendo com que a pessoa inche, fique com a pressão arterial alta e com falta de ar (líquido nos pulmões). Isso torna a sessão de diálise complicada, já que vai ser necessária uma retirada muito intensa de líquido, expondo a pessoa a um risco maior de arritimias e hipotensão.
A estratégia para evitar essa situação é reduzir a ingestão de líquido (água, sucos, refrigerantes, etc) ao mínimo, apenas o suficiente para saciar a sede. O problema é que a sede varia de indivíduo para indivíduo, na dependência de quanto sal é consumido. Quanto mais sal se come, mais sede se tem. Uma forma, então, se não a melhor, de se otimizar a estratégia para não se ganhar tanto peso é consumir menos sal.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Diálise Peritoneal

É mais uma forma de se fazer diálise. Não é uma forma em que o processo acontece fora do corpo (extracorpórea) como a hemodiálise, mas sim dentro dele, mais precisamente dentro da barriga.
Um catéter (tubo) é colocado dentro da cavidade abdominal através de uma incisão cirúrgica na parede abdominal. O catéter não atravessa o intestino ou qualquer outro órgão, ele apenas é posicionado com a ponta no interior dessa cavidade, cuja superfície interna é formada por uma estrutura chamada peritôneo. O peritôneo é uma membrana de área bastante grande ricamente vascularizada, ou seja, tem inúmeros vasos sanguíneos de variados calibres. Os que interessam para a diálise peritoneal são os capilares (finíssimos vasos). Um "líquido de limpeza" chamado de banho de diálise é colocado dentro da cavidade abdominal, sendo dessa forma exposto à superfície do peritôneo. Por sua vez, os capilares do peritôneo permitem a passagem das impurezas em excesso no sangue em direção ao banho de diálise. Dessa forma as toxinas deixam o sangue e vão para esse líquido, que a intervalos frequentes é retirado de dentro da barriga e substituído por um novo e limpo, dando condições de nova passagem de impurezas para o mesmo, de forma subsequente.
O número de vezes que se tem de trocar o líquido, sua composição e o volume de cada troca são prescritos de forma individual pelo nefrologista.
A diálise peritoneal tem resultados bastante semelhantes em termos de sobrevida à hemodiálise. Tem a vantagem de não obrigar o indivíduo a ir a uma clínica 3 vezes por semana, pois geralmente é feita em casa.
Num post futuro falaremos sobre os métodos de diálise peritoneal: o CAPD e o APD (automatizada).

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cãibras na Hemodiálise

Têm causa incerta. As cãibras são bastante frequentes em sessões de hemodiálise e não raro se acompanham de hipotensão (pressão arterial baixa). São um sinal indireto de má perfusão dos músculos e deterioração do seu relaxamento se relacionando com retiradas de peso exageradas e banho de diálise com sódio baixo. A probabilidade de cãibra durante uma sessão aumenta junto com o ganho de peso (líquido) entre uma sessão e outra. Quem ganha mais peso, tem que tirar mais e portanto tem mais chance de ter cãibra. É mais frequente a ocorrência no primeiro mês de diálise, diminuindo bastante depois desse período. Costuma ser muito forte e assustadora da primeira vez que acontece. O susto é grande e deve-se avisar logo a enfermagem, que está habituada a essas intercorrências. Embora seja chocante, geralmente não tem maiores consequências.
O tratamento é tentar restaurar a perfusão muscular. Usa-se glicose, soro, aumento do sódio no banho e às vezes é necessário encerrar a sessão. Com menos frequência pode se dever a cálcio ou potássio baixo no sangue.
É difícil encontrar uma pessoa que nunca teve cãibra durante uma sessão de hemodiálise.

sábado, 14 de agosto de 2010

Anemia na Insuficiência Renal

Os rins produzem eritropoetina, que estimula a medula óssea (precursores eritróides) a produzir glóbulos vermelhos (hemáceas). O fator que faz o rim produzir mais eritropoetina é a baixa de oxigênio.
Adivinha o que acontece com quem tem insuficiência renal? Sim, deixa de produzir a eritropoetina adequadamente, e à medida que avança no estágio da doença renal, fica mais anêmico.
A anemia provoca fraqueza, perda de apetite, falta de ar, palidez e nos casos mais severos pode até matar.
Antigamente a anemia só era tratada com transfusões de sangue mas hoje em dia já existe a eritropoetina sintética, que é bem mais segura e pode ser utilizada por quem tem insuficiência renal e anemia. Essa medicação é bem cara e a maioria das pessoas que precisa dela conta com o fornecimento por parte dos governos estaduais já que é um direito constitucional da população.
A eritropoetina sintética é fabricada por grandes laboratórios e a mais utilizada no Brasil é a alfapoetina (hemax, eprex, etc). Já existem no mercado produtos mais modernos que talvez ofereçam alguma vantagem como a darbepoetina (aranesp) e a betapoetina c.e.r.a. (mircera) mas que, por enquanto, não vêm sendo muito usados por aqui.
A alfapoetina produz um efeito melhor quando aplicada por via subcutânea e a dose necessária vai ser definida pelo nefrologista. A falta de algumas vitaminas, de ferro e perda de sangue contínua também podem causar anemia em quem tem insuficiência renal. Por isso é importante o acompanhamento do nefrologista pra que ele detecte, se for o caso, e corrija esses problemas antes de partir para o uso da eritropoetina.
Algumas eritropoetinas precisam ser conservadas na geladeira, portanto, cuidado: se ela esquentar, estraga e perde o efeito. Informe-se sobre isso. Use corretamente e exija sempre o fornecimento contínuo da sua eritropoetina. Ela é muito importante.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Transplante Renal

O transplante renal é uma das terapias de substituição renal, assim como a hemodiálise e a diálise peritoneal. Frente a uma insuficiência renal crônica em estágio avançado, que não tem cura, opta-se por uma dessas terapias. A escolha de uma não implica na renuncia definitiva da outra, já que elas são intercambiáveis. No final da década passada e no início desta vários estudos verificaram uma vantagem estatística em termos de mortalidade para os pacientes que faziam transplante renal comparados com aqueles que faziam alguma modalidade de diálise. É importante frisar que esse é um dado bruto, e que fatores como mau estado de saúde, diabetes mellitus, idade avançada, insuficiência cardíaca, desnutrição e outros, contribuem muito para aumentar a mortalidade da população de renais crônicos. Em resumo, o transplante renal parece oferecer uma sobrevida maior do que a diálise, porém características clínicas individuais devem ser levadas em conta, já que sabemos que as conclusões obtidas nesses estudos derivam de situações onde pacientes com estado clínico melhor são escolhidos para fazer transplante.
O portador de doença renal que estiver lendo esse texto deve ficar tranquilo. Não deve pensar que é necessário fazer um transplante imediatamente. Precisa conversar com o seu médico e se informar sobre todos os detalhes a respeito, porque transplantar não significa curar. Significa trocar a diálise pelos remédios imunossupressores que têm sérios efeitos adversos. Por enquanto, nada nos diz que um cidadão que está bem adaptado à diálise (hemo ou peritoneal), no aspecto clínico, psicológico, profissional, familiar, deve trocá-la por um transplante, muito menos o contrário.
* Todas essas informações, e outras mais que virão neste blog, devem ser discutidas e adaptadas à sua condição individual em conversa com o seu nefrologista.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fístula arteriovenosa


Nossas veias não servem para fazer hemodiálise. É o que eu sempre digo para os pacientes. Elas não tem fluxo de sangue e resistência suficientes.
É preciso que se faça uma veia nova. A "fabricação" é geralmente através de uma cirurgia pequena (a incisão muitas vezes é menor que 5 cm) com anestesia local. A técnica é ligar um vaso arterial (maior fluxo, maior pressão, mais resistente) a um vaso venoso (parede frágil, pressão baixa e fluxo pequeno) para que essa veia ganhe resistência e fluxo sanguíneo. Depois de 30 dias do procedimento, a veia está pronta para ser puncionada (pelas agulhas de hemodiálise), com fluxo adequado e paredes resistentes. Isso é o que se chama de fístula arteriovenosa.
A foto acima é de uma fístula antiga, com mais de 5 anos, que se dilatou com o passar do tempo. Isso é inevitável, já que o vaso não tem a mesma camada muscular das artérias e acaba, ao cabo de alguns anos, por dilatar e às vezes formar aneurismas. É imprevisível se este ou aquele paciente vai ficar com a fístula dilatada, feia, etc. Só o tempo diz.
A fístula é muito importante para o indivíduo que faz diálise, porque sem ela, não se faz uma diálise boa, e às vezes, não se faz diálise alguma. Os cuidados a serem tomados pelo paciente são a lavagem adequada da região da fístula antes da hemodiálise e a proteção do local contra traumatismos.
A agulha que punciona a fístula é especial para isso e é grossa, sim, e dói, sim. Mas é só no começo que se sente dor pra valer, depois fica-se acostumado. Muitos não sentem dor alguma. O estado psicológico conta muito nessa percepção da dor.
Quanto mais prática se tem no uso dessas agulhas para a punção da fístula, melhor. É por isso que funcionário novato de clínica é temido pelos pacientes. Mas, convenhamos, ele tem que aprender em alguém, porque um dia ele vai ser experiente.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Hemodiálise


Essa é a forma de substituição renal mais utilizada no mundo todo. No Brasil, é de longe o método mais comum, sendo que a diálise peritoneal e o transplante renal são menos usados. A adoção de um método nunca exclui a possibilidade de se mudar para um dos outros, já que eles são intercambiáveis.



Está indicada a hemodiálise para um indivíduo quando a função renal atinge níveis críticos (creatinina muito alta), quando o potássio fica constantemente muito alto, o sangue ácido em demasia, a produção de urina diminui muito não sendo mais capaz de eliminar todo o excesso de líquido, sintomas como vômitos e confusão mental aparecem, ou a desnutrição por falta de apetite se torna um problema. Qualquer das ocorrências acima pode levar o paciente à necessidade de diálise, a critério do médico nefrologista assistente.
Agora, o que é essa tal da hemodiálise???!!!
É uma forma de eliminar as toxinas e o líquido em excesso do sangue, cuja filtração e eliminação para a urina não é mais desempenhada de forma adequada pelos rins. O sangue é retirado de um vaso sanguíneo do indivíduo e levado para o interior de um filtro próprio (dialisador, capilar) na máquina de hemodiálise (fotos) onde ele entra em contato íntimo (através de uma membrana ultra-fina com poros microscópicos) com a solução limpadora e nela deposita essas toxinas em excesso e elimina o líquido a mais que está no corpo da pessoa. A seguir, esse sangue é devolvido já filtrado para a pessoa, tudo de forma contínua durante aproximadamente 4 horas, que é o tempo de cada sessão, que por sua vez, repete-se 3 vezes na semana.
Isso não é uma forma de tratar os rins doentes, é apenas o tratamento das consequências ruins desse estado. Geralmente, os rins tendem a continuar piorando, infelizmente, já que não há cura para a insuficiência renal crônica, apenas o controle dos problemas gerados por ela.
Então, não é necessário entrar em pânico se a diálise se fizer necessária. Apesar de triste e decepcionante no início, ela não é uma coisa ruim, é uma coisa necessária. Milhões de pessoas, hoje, mantêm-se vivas e produtivas graças a essas terapias substitutivas, como a hemodiálise.
Voltaremos a falar no assunto. Esteja à vontade para comentar ou tirar dúvidas.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Diálise

A diálise é uma forma que o ser humano genialmente inventou de substituir a função que os rins deixaram de desempenhar. A diálise através de membranas especiais (artificiais ou natural) faz com que as impurezas e excessos, que passam a se acumular no organismo devido ao mau funcionamento dos rins, possam ser retirados do interior do corpo dos portadores de insuficiência renal.
Essa membrana (representada esquematicamente pela linha preta grossa do desenho) faz com que os elementos em excesso passem do sangue para o meio artificial criado a partir de um conjunto máquina/dialisador (na Hemodiálise) e de peritôneo/cavidade abdominal (na Diálise Peritoneal). Esse processo acontece devido a uma propriedade física conhecida como difusão, onde os solutos passam do meio mais concentrado para o meio menos concentrado através de uma membrana semipermeável. Com a retirada do "líquido limpador" e a substituição por outro novo esse processo se realiza repetidamente quantas vezes for necessário.
Como dito acima, são duas as formas de diálise: a hemodiálise e a diálise peritoneal, que serão discutidas mais adiante em outro post.