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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Beber água é bom para os rins (2)?

Há um tempo publiquei um post que em resumo dizia que o consumo de água além do suficiente para saciar a sede não determinava benefício algum para a função dos rins. Continuo com essa opinião por não haver explicação técnica que me faça pensar o contrário, exceto nos casos de cálculos renais, certamente, e na doença renal policística, em que talvez o consumo de água além do estritamente necessário seja benéfico.
Porém, neste ano, dois trabalhos de desenho que lhes conferem pouca força conclusiva, mostraram que o consumo de água medido pelo volume urinário em um, e por inquérito subjetivo direto em outro era diretamente relacionado a uma maior preservação da função dos rins ao longo do tempo.
A orientação para um consumo de água maior vem principalmente de 1945 através do Food and nutrition board que orientava o consumo de 2,5 l de água, incluída a dos alimentos e das bebidas não alcoólicas. Com o tempo, contudo, a orientação foi sendo esquecida por falta de embasamento fisiológico.
Parece que o meio científico sério vem se preocupando novamente com o assunto e considerando que a ingestão de água para a prevenção das doenças renais não é só uma "lenda urbana". Entretanto, por ora, as formas de se evitar as doenças renais reconhecidas são em resumo a detecção precoce do diabetes e hipertensão, a prevenção do uso de substâncias nefrotóxicas e, provavelmente, a manutenção de um peso saudável através da dieta e atividade física.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Beber água é bom para os rins?

Sempre ouço essa pergunta ou afirmação das pessoas. A resposta é que sim. Mas que quantidade faz bem? O suficiente para saciar a sede, eu respondo. A sede é um dos mecanismos que o nosso corpo possui para regular o volume sanguíneo circulante e a tonicidade do nosso líquido corporal. Quanto maior a concentração e menor o volume circulante efetivo maior a necessidade de água e mais sede sentiremos. Portanto, é um regulador natural que nós temos. Beber água acima do suficiente para matar a sede é inútil, só provoca maior produção e eliminação de urina, sem benefício adicional nenhum. A exceção acontece para a prevenção da formação dos cálculos renais. Aí sim, tomar bastante água é útil, pois se produzirá mais urina, diluída, e menos cálculos se formarão.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fístula arteriovenosa


Nossas veias não servem para fazer hemodiálise. É o que eu sempre digo para os pacientes. Elas não tem fluxo de sangue e resistência suficientes.
É preciso que se faça uma veia nova. A "fabricação" é geralmente através de uma cirurgia pequena (a incisão muitas vezes é menor que 5 cm) com anestesia local. A técnica é ligar um vaso arterial (maior fluxo, maior pressão, mais resistente) a um vaso venoso (parede frágil, pressão baixa e fluxo pequeno) para que essa veia ganhe resistência e fluxo sanguíneo. Depois de 30 dias do procedimento, a veia está pronta para ser puncionada (pelas agulhas de hemodiálise), com fluxo adequado e paredes resistentes. Isso é o que se chama de fístula arteriovenosa.
A foto acima é de uma fístula antiga, com mais de 5 anos, que se dilatou com o passar do tempo. Isso é inevitável, já que o vaso não tem a mesma camada muscular das artérias e acaba, ao cabo de alguns anos, por dilatar e às vezes formar aneurismas. É imprevisível se este ou aquele paciente vai ficar com a fístula dilatada, feia, etc. Só o tempo diz.
A fístula é muito importante para o indivíduo que faz diálise, porque sem ela, não se faz uma diálise boa, e às vezes, não se faz diálise alguma. Os cuidados a serem tomados pelo paciente são a lavagem adequada da região da fístula antes da hemodiálise e a proteção do local contra traumatismos.
A agulha que punciona a fístula é especial para isso e é grossa, sim, e dói, sim. Mas é só no começo que se sente dor pra valer, depois fica-se acostumado. Muitos não sentem dor alguma. O estado psicológico conta muito nessa percepção da dor.
Quanto mais prática se tem no uso dessas agulhas para a punção da fístula, melhor. É por isso que funcionário novato de clínica é temido pelos pacientes. Mas, convenhamos, ele tem que aprender em alguém, porque um dia ele vai ser experiente.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Biópsia Renal

Em certas situações como as nefrites/glomerulopatias e quando não se sabe o motivo de uma insuficiência renal indica-se a realização de uma biópsia renal. Trata-se da retirada de um fragmento de tecido renal que represente de forma fidedigna o órgão inteiro. O objetivo é estudar o órgão microscopicamente para fazer o diagnóstico de forma mais precisa, para conhecer o grau de atividade e quantificar a perda irreparável causada pelas mais variadas doenças e, por fim, planejar a melhor forma de se tratar o problema identificado.
Geralmente quem tem de fazer biópsia renal são aqueles com perda excessiva de proteína ou hemáceas na urina e os que perdem função renal e não se identifica a causa.
É o nefrologista quem indica a biópsia renal.
Na maioria das vezes é um procedimento feito com uma agulha inserida através da pele (percutânea). Localiza-se o rim com o aparelho de ultrassom ou tomografia e com uma agulha especial (sob anestesia local) faz-se a retirada de um fragmento mínimo de tecido renal. Quase não há dor e a recuperação é muito rápida. No dia seguinte ou no mesmo dia o paciente já volta para casa.
As complicações são muito raras e a mais frequente (< 10% das vezes) é o sangramento no rim biopsiado. Só o repouso e observação resolve a maioria dos casos.
O fragmento (biópsia), então, é enviado para o laboratório de patologia para ser estudado no microscópio e o laudo desse exame ajudará sobremaneira o nefrologista a traçar a conduta mais acertada para cada caso.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Síndrome Nefrótica

O conceito de síndrome nefrótica inclui perda de proteína na urina (proteinúria) maior que 3,5 g em 24 horas (pode-se completar com: a cada 1,73 m2 de superfície corpórea) somado a albumina baixa no sangue, edema e saída de gordura pela urina (lipidúria). É consequência de doença glomerular primária ou secundária a outras doenças. São inúmeras as causas de síndrome nefrótica e dependendo da faixa etária as mais comuns são a doença por lesão mínima nas crianças, e as glomerulopatia membranosa e glomeruloesclerose segmentar e focal nos adultos. A causa secundária mais comum de síndrome nefrótica e talvez a mais comum globalmente é a nefropatia por diabetes.
Explicando melhor, os glomérulos, devido à lesão causada pela doença subjacente, perdem a capacidade de conservar as proteínas no sangue e passam a perdê-las na urina, causando, com isso, a queda da sua concentração (eg,albumina) no sangue. A pessoa incha por vários motivos, um deles é que a escassez de proteínas no sangue facilita a perda de água para fora dos vasos sanguíneos, favorecendo o inchaço. Devido a um mecanismo complexo essa baixa de proteínas causa um aumento no colesterol e até mesmo o aparecimento de gordura na urina em alguns casos.
A síndrome nefrótica não deve ser encarada como uma doença e sim como um conjunto de manifestações causadas por uma doença que acomete os rins, mais especificamente o glomérulo.
O profissional mais indicado para diagnosticar e tratar esses casos, independente da causa, é o nefrologista.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O que é creatinina?

A creatinina é uma substância presente no organismo humano derivada do metabolismo dos músculos. Todo ser humano tem creatinina e ela é produzida em uma taxa constante e contínua diariamente durante toda a nossa vida. Há pouca variação nessa taxa durante o envelhecimento normal.
Nos últimos anos essa substância vem ganhando bastante espaço no noticiário porque a cada dia nos damos conta de que precisamos estar atentos à saúde dos nossos rins, assim como a do nosso coração, pulmões, cérebro, etc.
Mas o que a creatinina tem a ver com os rins???
Os rins são capazes de filtrar o nosso sangue e eliminar dele a creatinina e inúmeras outras substâncias através da urina. Devido a particularidades específicas da creatinina os rins eliminam grande parte dela na urina todos os dias incessantemente. Como a produção pelos músculos e a eliminação pelos rins é contínua sua concentração no sangue é constante.
A partir daí é fácil entender que quando os rins deixam de trabalhar adequadamente a concentração da creatinina no sangue aumenta. E é esse aumento que mostra para o médico que há algum problema no funcionamento renal. Portanto, pergunte ao seu médico como anda a sua creatinina.
Aumentos consideráveis da concentração da creatinina mostram que há INSUFICIÊNCIA RENAL.
Sobre esse tema falaremos mais tarde.