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sexta-feira, 16 de março de 2012

É possível sair da diálise?

Pergunta desse tipo eu ouço quase todos os dias. A resposta é complicada, mas geralmente é não!
Para sair da diálise há 3 meios, que são, do pior para o melhor: morrendo, fazendo um transplante ou recuperando a função do rins.
Quanto ao primeiro, morrer, é melhor nem comentar, pois não suscita dúvidas.
Fazer um transplante renal hoje em dia ainda está bastante difícil, pois só a minoria dos estados tem um serviço ativo, além de não ser fácil encontrar um doador vivo, e no caso do doador falecido, termos dificuldade em captar órgãos de possíveis doadores. Ainda é preciso lembrar que o transplante não é cura, é apenas troca de uma modalidade de substituição da função renal perdida por outra. Não dá pra esquecer que o uso dos imunossupressores que evitam a rejeição do rim transplantado possui os seus riscos e dificuldades.
As grandes dúvidas se dão nas chances de recuperação da função renal. Geralmente um diabético ou hipertenso que entra em diálise por esses motivos não recupera a função dos rins, pois eles se deterioraram de forma irreversível ao longo de anos. Portanto, a chance é mínima. Quem costuma poder recuperar a função dos rins são os portadores de insuficiência renal aguda. Fazem parte desse grupo os sobreviventes/doentes por nefrites (lúpus, IgA, entre outras), os expostos a substâncias tóxicas aos rins (alguns antibióticos, contraste venoso), os grandes acidentados, os que desenvolvem infecções graves (sepse) que se resolvem e os que têm alguma obstrução à saída da urina (prostáticos, tumores, pedras). Esses geralmente não tinham qualquer problema renal e podem recuperar a função dos rins e sair da diálise se a condição causadora for sanada.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Lei dos Transplantes

Aqui vai o link para a lei que dispõe sobre os transplantes de órgãos e tecidos no Brasil.
E aqui o decreto que a regulamenta.

Cross-Match ou Prova Cruzada no Transplante Renal

O candidato a transplante renal, além da tipagem HLA, também faz a prova cruzada. É o exame que põe em contato o soro (parte do sangue sem as células) do receptor com células do doador e analisa o resultado. É uma prévia do que acontecerá após o transplante: células do doador (o rim enxertado) em contato com os anticorpos pré-formados do receptor. Caso haja morte de células do doador provocada por ação de anticorpos do receptor, a prova cruzada é positiva, e isso é péssimo porque praticamente inviabiliza o transplante entre essa dupla.
No caso de uma dupla com doador vivo alguns centros tentam reverter esse problema usando imunossupressores com bons resultados.
O receptor desenvolve anticorpos contra possíveis doadores principalmente através de transfusões sanguíneas, gravidezes e transplantes anteriores, que são momentos em que o organismo entra em contato com tecidos estranhos a ele, desencadeando a formação de anticorpos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tipagem HLA

Os candidatos a um transplante renal, além da tipagem sanguínea ABO, devem fazer a tipagem HLA.
HLA quer dizer Human Leukocyte Antigen ou Antígeno Leucocitário Humano, na nossa língua.
Detalhes técnicos à parte, o HLA é um grupo de proteínas/antígenos encontrados na superfície de muitas de nossas células e que são utilizados para, de certa forma, nos identificar geneticamente e imunologicamente. Os genes que codificam essas proteínas de membrana estão no cromossomo 6. Há ao menos 2 principais grupos de HLA e nesses dois grupos há interesse em 3 antígenos em especial para os candidatos a transplante. Os HLA A e B (do 1o grupo) e DR (do 2o). Cada antígeno desses (A, B e DR) é expressado por duas proteínas diferentes nas membranas das células, cada uma vinda do código genético de um de nossos pais. Portanto, são seis as proteínas a se considerar. Por exemplo, o doador pode ser HLA A1 e A2, B2 e B3 e DR 3 e DR4, e o receptor ser HLA A1 e A3, B2 e B4 e DR2 e DR4. Nesse caso o número de incompatibilidades ou "unmatches" é 3. Quanto mais compatibilidades, menores são as chances de rejeição e menos complicacões em potencial existem para esse transplante.
A tipagem HLA é feita tanto no transplante intervivos como no transplante com doador falecido. Todo candidato a transplante em preparo deve ter a sua tipagem HLA conhecida. Você já sabe a sua?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Transplante Renal

O transplante renal é uma das terapias de substituição renal, assim como a hemodiálise e a diálise peritoneal. Frente a uma insuficiência renal crônica em estágio avançado, que não tem cura, opta-se por uma dessas terapias. A escolha de uma não implica na renuncia definitiva da outra, já que elas são intercambiáveis. No final da década passada e no início desta vários estudos verificaram uma vantagem estatística em termos de mortalidade para os pacientes que faziam transplante renal comparados com aqueles que faziam alguma modalidade de diálise. É importante frisar que esse é um dado bruto, e que fatores como mau estado de saúde, diabetes mellitus, idade avançada, insuficiência cardíaca, desnutrição e outros, contribuem muito para aumentar a mortalidade da população de renais crônicos. Em resumo, o transplante renal parece oferecer uma sobrevida maior do que a diálise, porém características clínicas individuais devem ser levadas em conta, já que sabemos que as conclusões obtidas nesses estudos derivam de situações onde pacientes com estado clínico melhor são escolhidos para fazer transplante.
O portador de doença renal que estiver lendo esse texto deve ficar tranquilo. Não deve pensar que é necessário fazer um transplante imediatamente. Precisa conversar com o seu médico e se informar sobre todos os detalhes a respeito, porque transplantar não significa curar. Significa trocar a diálise pelos remédios imunossupressores que têm sérios efeitos adversos. Por enquanto, nada nos diz que um cidadão que está bem adaptado à diálise (hemo ou peritoneal), no aspecto clínico, psicológico, profissional, familiar, deve trocá-la por um transplante, muito menos o contrário.
* Todas essas informações, e outras mais que virão neste blog, devem ser discutidas e adaptadas à sua condição individual em conversa com o seu nefrologista.